Ontem dei por mim a recordar tudo ou pelo menos tudo o que me consegui recordar e fixei-me em determinada parte dessas recordações.
É estranho mas não damos o valor devido a recordações, a memórias e quando por algum motivo te queres lembrar e não podes ou não consegues mais estranho é.
Para não perder mais memórias faço muitas vezes este exercício que fiz ontem, recordar tudo o que consiga com uma particularidade, recordar o bom. Porque por norma o menos bom não precisamos de recordar, é sempre mais claro.
Então depois de te ver nessas memórias, de te ver em partes da minha vida contigo questionei se acharás que não me recordo do que passámos, se acharás que é essa a tua justificação plausível para o nosso afastamento.
Gostava de te dizer que me lembro de tudo. Tudo.
Lembro-me do primeiro dia que soube da tua existência, lembro-me da primeira vez que vi uma fotografia tua, lembro-me da primeira vez que te vi à minha frente e tu correste para mim, lembro-me que já te amava mesmo sem te conhecer. Lembro-me do teu cheiro, do teu cabelo tão castanho e liso que encaracolava no final, lembro-me de achar o teu nariz a coisa mais fofa de sempre. Lembro-me que adoravas imitar cantores em frente ao roupeiro espelhado do corredor, lembro-me tão bem do teu quarto e de como achava aquela janela perigosa. Lembro-me de chegar e ir ao teu quarto dar-te um beijo porque já estavas a dormir e era tão tarde. Lembro-me de todos os fins-de-semana e férias que passei contigo. Lembro-me que uma vez ficámos doentes porque comemos um gelado com creme de chocolate e foi terrível. Lembro-me do dia que encontramos um cachorro abandonado na estrada e tivemos de o ajudar. Lembro-me que nunca me deixavas muito tempo sozinha com a minha prima e que não querias dormir porque querias ouvir as nossas conversas. Lembro-me quando caíste no jardim e um amigo meu me ajudou a trazer-te para casa e de na tua ingenuidade dizeres que era meu namorado, e dos sarilhos que me causaste com a minha melhor amiga porque os boatos alimentados por pessoas tolas são piores que pólvora mas que só me conseguia rir quando dizias que os amigos são namorados e que tinhas pelo menos uns cinco no colégio.
Lembro de tanto mas tanto minha querida. Acho que realmente não fazes ideia. E também acho que não te lembras de outras coisas menos boas, mas principalmente que nem se quer deves saber que com 13 anos tive de tomar a decisão mais difícil de sempre e que nenhuma criança devia ter a obrigação de a tomar. Tive de escolher entre não te ver mais ou continuar com a minha vida o mais equilibrada psicologicamente possível. Acredita que não foi tomada de animo leve. Acredita que por ti ainda prolonguei a situação o mais que pude. Acredita que até hoje me dói.
Gostava de te dizer que em momento algum tiveste culpa, mas gostava também que compreendesses que também não tive culpa. E quem a teve infelizmente magoou-me muito, magoou-te e possivelmente nem te lembras e magoou a tua mãe tal como magoou a minha. E eu não podia reviver novamente o mesmo, simplesmente não podia, simplesmente não conseguia. Lembro-me do último Natal que passámos juntas e o quanto me doeu sentir que todos se preocupavam comigo menos a pessoa que deveria se preocupar mais, também me lembro da dor que senti quando percebi que bastava, que não ia continuar a sacrificar-me por quem nem se importava ou dava atenção. Lembro-me de depois ter ficado mês e meio de cama com uma gripe que não passava por nada, que os médicos já não sabiam o que fazer e que quase quase me levou.
Gostava de te dizer que mesmo afastadas que sempre tentei estar presente, e sei que até o estive algum tempo, até tu quereres. Mas também aqui me lembro de tudo, novamente tudo. Lembro de quando fumaste e me contaste, de estares super apaixonada por um colega teu e o quanto sofrias por amor, de ires crescendo e apanhares uma noite uma bebedeira tal que ficaste em coma, lembro de o quanto me doeu por não poder estar ao teu lado e ajudar-te a passar toda essa grande aventura que é a adolescência. Mas também me lembro da última vez que estivemos juntas e te levei ao bar e discoteca e te disse que só podias beber 3 bebidas porque não queria que ficassem chateados nem contigo nem comigo e não valia a pena fingir que não bebias e fumavas mas tu cumpriste com a tua palavra e mostraste que os 18 já estavam a fazer efeito e senti um orgulho imenso em ti.
Oh minha querida, lembro-me de tanto! Mas aqui é tão difícil não me lembrar das coisas menos boas... porque foram elas que me obrigaram a ter de te deixar.
Gostava de um dia te poder dizer isto tudo, de te dizer que há um mês quando nos vimos parte das lágrimas que escorreram pela minha cara foram porque te perdi.
Olá olá!
Venho-vos trazer um "cheirinho" das novidades que por aí vêm!
Este é o nosso projecto e neste momento estamos a meio de um concurso no Big Smart Cities no qual somos finalistas. Yeah!!
Mas precisamos de uma ajuda e lembrei de vos pedir. É simples e rápido, basta seguir as indicações. É pedido o número de telemóvel mas apenas como forma de controle de votos não duplicados, sem stresses tá ?!
Então vão lá ao link e ajudem-nos a crescer!
Carreguem aqui!
Prometo mais novidades em breve.
Aquele "cheiro" de mudanças boas a caminho quem não gosta? Quem não se sente inspirado? Quem não se sente mais desperto?
Eu sinto, e muito!! Adoro!!
Então como no último post falámos um pouco sobre o porquê de nem sempre vir aqui e escrever qualquer coisa, hoje venho contar-vos novidades.
Nestas últimas semanas muita coisa mudou. muita mesmo.
Nova casa. Nova cidade. Novo trabalho. Novas adaptações.
Se têm um lado hiper animador e motivador digo-vos que também têm um lado tão cansativo!! Pfffff fartinha de caixas e caixinhas sacos e sacolas e tuuuuuudooooo desarrumado! Ah vou tomar banho, hum... mas e onde é que tenho aquelas calças? e a t-shirt? umas cuecas também davam jeito!!!!... Basicamente tem sido isto todos os dias x2! Mas podíamos estar bem pior ahahahahah
O bom é que o trabalho é um projecto do Mais-Que-Tudo e então temos estado ao nosso ritmo e pelo menos ajuda a não stressar tanto com a quantidade de coisas ainda desorganizadas aqui por casa. Mas há sempre um "mas" eheheheh e aqui não é excepção. Se é óptimo ter o nosso ritmo também implica mais organização e responsabilidade que procrastinar é bom mas não pode ser todos os dias nem a toda a hora.
E gostavam de ver umas fotos da nova casa e da nova cidade?
Já repararam que temos todo um novo look? ah pois é!
Mais uma vez trabalho da querida Pirilampos.
E porquê mudares isto se nem cá pões os pés?? Perguntam vocês. E eu respondo:
Porque finalmente percebi porque não venho tanto aqui, porque neste momento considero-me uma pessoa Feliz.
Não faz de vocês uns infelizes eu é que sou tão feliz que não sei sobre o que escrever.
Não faz de vocês uns infelizes eu é que sou tão feliz que não sei sobre o que escrever.
Como assim? Perguntam vocês. E eu respondo:
Há uns anos iniciei um outro blog como forma de terapia, para tentar exprimir uma tristeza imensa que me consumia e a minha vida era na verdade em bocado triste, foram uns anos chatos é um facto e embora pareça estar a exagerar não estou. Foi um período em que fiquei materialmente sem o que tinha, profissionalmente tive das piores experiências de sempre, economicamente estava no lodo, socialmente isolei-me bastante e também terminei relações que achei serem para a vida.
Logo o blog funcionava como um escape, como um desabafo e a verdade é que a poesia nasce da dor, pelo menos no meu caso. Escrevi textos lindíssimos que ainda hoje os guardo e quando os volto a ler ainda penso "fui eu que escrevi isto??", mas também me lembro da dor enorme que senti quando os escrevi, então apaguei o blog como fim de um ciclo.
Precisava de terminar todo aquele clico de anos e de dor. Precisava de parar o luto contínuo e voltar a viver.
Ok, mas porque não vens a este? perguntam vocês. E eu respondo:
Porque associei o blog a este exercício terapêutico, escrevia quando estava triste, escrevia com as lágrimas a cair dos olhos, escrevia cheia de raiva da vida e de mim mesma, escrevia porque tinha medo da vida e de todos.
Agora felizmente é algo que não acontece. Logo não sei o que escreva... não quero ter um blog banal não quero ter um blog igual a tantos outros e sinceramente já o disse e repito não acho a minha vida assim tão interessante para falar aqui sobre o meu dia-a-dia.
Então vais deixar de escrever aqui? perguntam vocês. E eu respondo:
Não. Daí a mudança. Quero continuar por aqui. Quero continuar a escrever até porque é algo que gosto e já percebi que me faz bem, só tenho agora de o direccionar para o bem, para a alegria, para o amor.
Por isso obrigada a quem me tem seguido, obrigada aos novos que chegaram, obrigada a quem me lê. Conto convosco para continuarmos por aqui.
Saudade...
Imensa.
Mas também muito feliz, sei que iria ter orgulho na neta que cá deixou.Obrigada por tanto Avô.






